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CASO 2 A denúncia O presente processo ético diz respeito à instauração de processo disciplinar contra uma psicóloga em face das denúncias recebidas da Vigilância Sanitária e da Coordenadoria das Promotorias Cíveis da Secretaria de Saúde da Prefeitura Municipal de um município. O cerne da denúncia consta da prestação de serviços da psicóloga em uma Pensão dirigida ao atendimento de doentes mentais que se encontrava operando sem condições mínimas de salubridade ou eficácia no atendimento dos pacientes. A
situação do estabelecimento Segundo relatório da equipe de Vigilância Sanitária daquele município, a situação encontrada na Pensão psiquiátrica com internação voluntária, de acordo com as considerações finais dos técnicos, é de que o estabelecimento "É um depósito de doentes mentais sem condições de funcionamento como estabelecimento de saúde, tanto pelas condições físicas como pela (des) assistência prestada aos pacientes sob seus cuidados". Além
desse relatório, foi encaminhada cópia de uma solicitação
feita pelo Ministério Público, meses antes,
à Vigilância Sanitária, para que fosse feita a interdição
das atividades da Pensão, uma vez que os esforços
do Ministério Público para que a proprietária
alterasse as condições de funcionamento foram em vão.
Ainda que o Desembargador da cidade tenha, em uma situação
anterior, propiciado ao estabelecimento, prazo de 30 dias
para sanar os problemas constatados. De funcionários Uma das funcionárias da Pensão diz que a psicóloga é voluntária e é chamada invariavelmente duas ou três vezes por semana colocando-se à disposição da Pensão sempre que necessário". Da psicóloga Esta relata que há cerca de 4 anos tinha conhecimento do trabalho da dona da Pensão que por espírito caritativo recolheu em sua residência pacientes psiquiátricos mediante pequenas remunerações de alguns deles e nada de outros. Refere ter entrado em contato com a Divisão de Saúde Mental da Secretaria Estadual de Saúde, informando da existência do estabelecimento e do trabalho que vinha sendo desenvolvido com o objetivo de regularizar e buscar recursos para este estabelecimento, bem como respaldar o apoio que ela se propôs a prestar à proprietária. A psicóloga e o marido, que é médico, resolveram colaborar com as pessoas do estabelecimento sem receber qualquer forma de honorários profissionais pelos serviços por eles concedidos. Tal colaboração levou-a a inclusive assinar o alvará como responsável técnica apenas para cumprir uma exigência administrativa, de modo que a situação do estabelecimento fosse regularizada e pudesse assim obter recursos. A psicóloga relata ainda que manteve contato com profissionais de saúde da rede pública com objetivo de receber medicamentos para os pacientes da Pensão, mas que não conseguiu. Dos familiares Familiares de pacientes depõem a favor da psicóloga, dizendo a importância dos serviços prestados pela Pensão no que concerne aos cuidados dos pacientes, e do grande serviço prestado à comunidade local e ao bem-estar dos pacientes que não têm para onde ir. Do advogado O
advogado de defesa alega que a denunciada prestava serviços filantrópicos
à instituição. E, diante da situação,
a denunciada tinha duas alternativas bem claras quando tomou
conhecimento das atividades desenvolvidas pela referida Pensão,
a saber: recusar-se a prestar a assistência voluntária
e omitir-se em relação a situação vivida pela
instituição ou, por outro lado, aceitar o trabalho
voluntário e envidar esforços no sentido de alterar a realidade
da instituição, inclusive comprometendo-se pessoalmente
para a obtenção de alvará de funcionamento
dessa. Da Coordenadoria de Promotorias Cíveis Existe um documento que trata de um estudo social realizado por uma assistente social da Coordenadoria de Promotorias Cíveis, realizado um ano antes da denúncia, com conclusão pela necessidade de ampliação do espaço físico, avaliação médica, acompanhamento sistemático da Promotoria Pública para prevenir superlotação e implementação de atividades para os pacientes da Pensão. Parecer do Conselho Regional de Enfermagem (COREN) Existem documentos que se referem a uma investigação sobre denúncias de maus tratos na referida Pensão. Foi realizada na época perícia pela promotora pública e por um enfermeiro do COREN. No parecer final foi concluído que as denúncias eram improcedentes, mas que havia irregularidades no setor de enfermagem. Questões para estudo 1 - Os artigos do Código de Ética que teriam sido infringidos - Os princípios gerais do Código de Ética. 2 - A relação dos psicólogos com a existência de outras instâncias nacionais de fiscalização - a Vigilância Sanitária. 3 - Outras legislações relacionadas ao exercício profissional dos psicólogos - Lei 10.216: dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental. 4 - A discussão da Luta pelos Direitos Humanos aliada à construção da profissão de psicólogo e a participação dos psicólogos no processo de Reforma psiquiátrica brasileira. 5 - A situação do trabalho voluntário no Brasil. Legislação relacionada - Resolução CFP-002/87: aprova o Código de Ética Profissional do psicólogo. - Resolução CFP-18/00: institui a Consolidação das Resoluções do Conselho Federal de Psicologia. - Lei 10216 (MS): dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental. |
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