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CASO 4 A queixa O presente caso é a síntese de uma representação contra os serviços profissionais de um psicólogo. O denunciante alega que há cerca de 3 anos sua esposa procurara os serviços profissionais do referido psicólogo e que no decorrer do tratamento sua esposa passou a demonstrar comportamentos incompreensíveis, como tendência ao isolamento, descuido na aparência pessoal, além de sintomas psicossomáticos. E que mais recentemente, há cerca de 7 meses, o tratamento foi interrompido devido ao agravamento do quadro de sua esposa com tentativa de suicídio. Tais situações culminaram na separação conjugal do casal. Por último, o denunciante relata ter tido conhecimento, por parte da sua esposa, que no tratamento realizado pelo referido psicólogo ocorreram relações sexuais entre o psicólogo e a paciente, o que entende estar relacionado ao fato de sua esposa estar se mantendo nessa situação de crise. Em oitiva da esposa do denunciante, esta confirmou a natureza do atendimento terapêutico dado pelo denunciado, e que desconhecia condutas anteriores semelhantes do denunciado com outras clientes, que o rompimento do processo terapêutico se deu pela mesma se encontrar insatisfeita, desamparada com o processo em curso e com uma condição de identidade abalada. Ainda segundo a mesma, deixar este processo trouxe um alívio muito forte, e que agora tem condições de estabelecer comparações sobre o tratamento, pois está sendo acompanhada por outro profissional. Em oitiva, o psicólogo denunciado relata que, de fato, a cliente iniciou a psicoterapia, uma vez por semana, há cerca de 3 anos e que logo no início tornaram-se claras as dificuldades da cliente em colaborar com o processo, tendo interrompido o tratamento após a décima sessão. Nesse processo foram constatadas dificuldades de relacionamento no âmbito familiar. Entretanto, no ano seguinte, a paciente retornou a fim de dar continuidade ao tratamento, porém com as mesmas dificuldades em verbalizar seus sentimentos, chegando a adquirir livros de Psicologia. De acordo com o psicólogo, nesse mesmo ano, face às resistências de sua cliente, propôs encerrar o tratamento e recomendá-la a outro terapeuta, entrando em férias logo em seguida. Após suas férias, a paciente retornou ao tratamento visivelmente abalada com uma discussão com seu marido. Descobriu que esse último tinha uma amante. Em virtude disso estava pensando em magoar o marido, inventando uma estória passional. Diante desses planos da sua paciente, o psicólogo aconselhou que a mesma procedesse com moderação. A paciente não mais voltou. Meses depois recebeu insultos e ameaças por telefone do marido da paciente, acusando-o de ofensa sexual à sua esposa, de maneira imprecisa, vaga. Recusava qualquer diálogo e o convite para que viesse ao consultório para esclarecer a verdade dos fatos. O psicólogo refere ainda que a acusação do envolvimento sexual ter acontecido no consultório é descabida, pois as janelas que auxiliam a ventilação do ambiente de atendimento ficam abertas, permitindo que se ouça parcialmente a conversa desde que se aproxime delas. Além disso, existe um olho mágico invertido na porta do consultório, que permite a observação do que se passa dentro do mesmo. Questões para estudo - A postura de responsabilidade com a profissão, humildade e respeito diante do outro. - A exigência ética de constante avaliação e pesquisa no processo terapêutico embasado no modelo clínico tradicional. - O oferecimento de condições adequadas ao tratamento clínico no que diz respeito ao sigilo. Legislação relacionada - Resolução CFP-002/87: aprova o Código de Ética Profissional do psicólogo. - Resolução CFP-10/00: especifica e qualifica a psicoterapia como prática do psicólogo. |
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